Quase sempre o que de mim foge é também o que nunca pertenceu a mim. É sempre uma aparição muito mais rápida que um disparo, e eu tremulo demais em ansiedade para que possa ser capaz de agarrar aquilo que eu não entendo e trazê-lo para perto de mim a possibilitar a observação, a análise, a sensação de poder. É isso, essa fuga, essa demora, esse vazio.
No rádio, na televisão, na sala, na mente. É tanta a convicção, é tão pouca a base. Ouço um tanto de proposições falsas se rebaterem e estourarem no meu pavilhão auditivo, mas volto a casa e me silencio diante de mim, e é só esperar que o amanhecer logo me encontra e me retira do retiro. Fujo e sei. Sei o quão dialético é o meu discurso, que quase cria afinidade com os disparates e as hipocrisias me rodeiam quando me tiro de mim e me atiro ao mundo, mas nem por isso aprendi a me disciplinar, a tomar as rédeas e as dimensões do que sei, do que penso, do que sinto, do que sou. Critico e já não me preocupo nem mesmo em esconder-me de mim, ou deles - dentro de mim. Alterno-me em um universo e outro e dou brecha para que ambos percebam a minha mediocridade, e não me mantenho em um permanentemente porque me custa suportar a pressão da crítica, do suborno, da maioria, da verdade, da realidade, da controvérsia, da dicotomia que eu expando ao me afastar de todos a construir uma verdade que só se soluciona e se desvenda pra mim.
Paciência. Quase me dói pronunciar o nome daquilo que me falta. De que me vale saber me portar em silêncio se um universo se expande e explode continuamente dentro de mim? De que me vale ter a mesa cheia à minha frente se nada suscita a fome? De que vale o sol bater no meu rosto o dia todo, se não sei conter a lágrima que escorre a fazer a oleosidade brilhar outra vez? E às vezes eu só percebo a minha descrença quando já nem mesmo quero pôr-me de pé e sair por aí pra te ver outra vez.
No rádio, na televisão, na sala, na mente. É tanta a convicção, é tão pouca a base. Ouço um tanto de proposições falsas se rebaterem e estourarem no meu pavilhão auditivo, mas volto a casa e me silencio diante de mim, e é só esperar que o amanhecer logo me encontra e me retira do retiro. Fujo e sei. Sei o quão dialético é o meu discurso, que quase cria afinidade com os disparates e as hipocrisias me rodeiam quando me tiro de mim e me atiro ao mundo, mas nem por isso aprendi a me disciplinar, a tomar as rédeas e as dimensões do que sei, do que penso, do que sinto, do que sou. Critico e já não me preocupo nem mesmo em esconder-me de mim, ou deles - dentro de mim. Alterno-me em um universo e outro e dou brecha para que ambos percebam a minha mediocridade, e não me mantenho em um permanentemente porque me custa suportar a pressão da crítica, do suborno, da maioria, da verdade, da realidade, da controvérsia, da dicotomia que eu expando ao me afastar de todos a construir uma verdade que só se soluciona e se desvenda pra mim.
Paciência. Quase me dói pronunciar o nome daquilo que me falta. De que me vale saber me portar em silêncio se um universo se expande e explode continuamente dentro de mim? De que me vale ter a mesa cheia à minha frente se nada suscita a fome? De que vale o sol bater no meu rosto o dia todo, se não sei conter a lágrima que escorre a fazer a oleosidade brilhar outra vez? E às vezes eu só percebo a minha descrença quando já nem mesmo quero pôr-me de pé e sair por aí pra te ver outra vez.