segunda-feira, 30 de junho de 2008

Medo do escuro.

A calada da noite me encarava, sem piedade. Eu despertara subitamente, num pulo, o coração a bater ligeiro, o corpo trêmulo, a suar. A memória fragmentada, a consciência abalada, e o ruído das janelas se chocando na parede, o estrondo causado pelo invisível vento frio, desconcentrando-me ainda mais. Encontrara-me comigo mesma, sentia. Com quem eu era há algum tempo atrás. Dois anos, seis meses, não sei. Então era aquilo o desespero, o medo, a ausência de qualquer um que pudesse me afastar de mim. Não fora um sonho concreto, um encontro, um reencontro. Fora algo muito menos dinâmico, muito mais abstrato, muito menos cognoscível, muito mais sensível. E aquela memória a arranhar-me a pele, a arrancar-me a calma, a roubar-me o silêncio, a trazer-me a culpa, a repulsa, uma pontada de dor amarga e sincera quando, naquela sensação, eu me reconheci.
***
E deixei abarcar-me o desgosto, o desprezo, e uma vontade em me largar para trás, em apagar tudo o que viera antes daquele despertar. Demorei a adormecer novamente, qualquer sutil estalo do lado de fora me trazia de volta do sonho que quase me engolia, mas logo que de manhã o despertador me trouxera ao quarto... Enxerguei tudo e não houve tempo para que eu sentisse aquela vergonha de mim e do que eu já fora, outra vez.

(godspeed you! black emperor - east hastings.mp3)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Report as spam.

Há uma linha tênue entre o que sou e o que quero ser. Raramente sei distinguir essa linha, e raramente sei em que local me posto. Vez ou outra, esses conflituosos universos se fundem e me trazem um êxtase de satisfação, que vem acompanhado de breves momentos de lucidez acerca do meu próprio caos.
Preocupa-me ser perceptível esse meu particular imbróglio que se multiplica enquanto eu descubro cada vez mais acerca de mim, das minhas características, dos meus limites, dos meus defeitos, daquilo que permanece sempre inerente à minha vontade, daquilo que permanece inato à minha consciência, à minha existência.
Mesmo antes que eu possa cruzar a linha imaginária que se traça a separar-me do mundo, já se condensa em mim uma nostálgica sensação de não pertencer, de estar à parte, que vem acompanhada de um desânimo que me pesa nas pálpebras, no pescoço, nas cordas vocais, no corpo todo... Uma sensação de que sou sempre o ímpar que sobra. Que fica de fora. Que destoa. E consome-me uma impressão de viver sempre a repetição da minha tentativa frustrada em incluir-me completamente, sempre sucedida por uma decepção comigo mesma. Contranjo-me frente a minha ineficiência, e não há para onde eu possa correr e esconder-me de mim.
Temo que o corpo magro, pálido, curvo, que as roupas neutras, escuras, que os óculos postos, que as mãos nos bolsos... que nada disso impeça a percepção alheia dessa minha íntima confusão. E antes que eu possa me conhecer, põem-me em um ambiente qualquer com outros tão perdidos quanto eu. Mas como parecem eles se preocupar um tanto menos com o que me aflige desse tanto...!
O tempo de convivência e a repetição dos fatos subseqüentes possibilitam-me analisar o comportamento de quem me rodeia. Um descabido desperdício de esforços falsos, elogios falsos ou sorrisos forjados para que se mantenha a estabilidade de um ambiente agradável, a consumir a autenticidade, a humanidade. E eu sei que dentro de si a situação em muito não se difere. Forja-se uma essência pessoal para que se mantenha uma estabilidade e uma aceitação de si mesmo. Tudo se mantém sereno, enquanto se perde a cor, que se dissipa para dar lugar ao gris.
Como se houvesse luz demais no ambiente, eu me encolho, fecho os olhos, e apenas ouço. Contorço-me, quando todas as vozes parecem ensaiar para estarem parecidas, e ainda assim cada uma delas guarda em si um esforço para sobressair-se sem fugir do tom. É tudo tão semelhante, que os passos parecem ensaiados para a marcha ariana. E eu sinto que os rejeito, inconscientemente. Sem que eu me aceite, sem que eu me sinta bem com a minha situação perante a todos, eu rejeito quem me aparece no compasso daquela marcha. Rejeito já de olhos fechados, só ao sentir o aroma, só ao perceber aquela ânsia, aquela superficialidade nos olhares... típicas de quem nem sabe quem é, ainda. Rejeito-os, coloco-os de lado, reporto-os como algo que não me interessa. E me preocupa um tanto o tanto que eu me isolo com essa minha prática inconsciente.
Pois o fingimento em nada me agrada, e eu me recuso a pintar-me, a mascarar-me, a fantasiar-me, somente para encaixar-me harmonicamente em meio ao mundo que não necessita das minhas indagações.
Quanto à sensação de não pertencer? Quanto à sensação de aceitar-me enquanto o que sou, mas permanecer à parte de tudo o que me rodeia? Doem. Suscitam a dúvida. Dilaceram a precisão da fala. Calam a fala. Mas não se comparam ao incômodo infinitamente maior que eu já fui capaz de experimentar... Aquela sensação de pertencer, sem aceitar-me. Sem identificar-me, sem reconhecer-me. Aquela certeza de que me falta permanentemente algo, de que o que mantenho, não somente ao meu redor, mas principalmente em meio a mim, é falso. Nada me parece intrínseco, tudo se pauta em palavras ralas e superficiais, e eu sei que sinto um incômodo, sem saber ao certo de onde é que ele vem. Sinto sempre pulsante uma repulsão a mim mesmo, e ela já não me é válida, pois se infesta por todo o meu corpo que, entorpecido, cede, e implora, e indaga, e espera por qualquer espasmo que me traga de volta à minha própria realidade.
Sinto, de vez em quando, a minha alegria render-se, encolher-se, esconder-se. E eu aceito a derrota. Opto pela solidão, se ela for mesmo uma conseqüência do único modo de viver que me traz de volta pra mim. Apetece-me mais, por enquanto, o empate a assistir o sorriso abafado vencer o que eu sou. Espero o resultado definitivo, nessa prorrogação que parece não ter fim. E porquanto me foge o estímulo, o ânimo, a cor... E eu volto a sorrir a todos em represália do quê? Nada vence. Os meus olhos parecem sempre me guiar ao mesmo vazio. Mas não me misturo ao preto e branco; ainda prefiro o rubro do sangue puro que de mim escorre sem ter outro para se misturar, para se camuflar, para desaparecer.

http://colorimetria.wordpress.com/2008/06/27/report-as-spam/

(this will destroy you - there are some remedies worse than the disease.mp3)

sábado, 21 de junho de 2008

When life is forever before (Upside down).

I'd ask for forgiveness if I act a little out of space,
If I keep on rounding the same mistake with no change,
If my scream is always hesitating on the edge of the sky.
But what else could I probably say to justify
The silence of all these days?
My head now is even higher than heaven
And there's no gravity to make me come back home
Pull my wrists but leave no harm.

In my mind there's no vocabulary
There's no love and there's no sense
Bring me a gray sky for me to fit my feet.
And stay down here, let me rest just a bit.
Would you get me out from this self-complain
I can only feel silence circulating in my veins.
There's a portrait left and I can see nothing remain.
Pull my wrists and leave any harm.

Find me a pen, a bottle and catch my damaged step.
Hide me in your hug and stop my uncontrolled breath.
To start it all over I'd give up any price
And then I could stop my heart from turning into ice.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Na verdade, o sincero é falso.

Sinto como se tudo o que eu fizesse e reconhecesse como parte dos atos do meu eu verdadeiro fossem apenas uma tentativa de fugir do vazio do meu eu real.

"Real: adj.: que tem de fato existência palpável, concreta; que não é imaginário.
Verdadeiro: adj.: autêntico, sincero, leal; conformidade do que se diz com o que é.".

E a minha ineficiência em ser ao menos um dos dois se apresenta a mim tanto real quanto verdadeira...

domingo, 15 de junho de 2008

Sobre a órbita.

Pois que o meu ciclo não é exatamente circular.
Vejo-me vagando em um polígono circunscritível de uns tantos infinitos lados.
E cada passada de vértice me dói.
E todos eles, ainda, mantêm-me a circular.
Às vezes anseio pela sutileza da curva, que me leva a calmamente trafegar com tudo.
Contudo, propicia-me a estagnar, já que não tenho dor alguma para me fazer saltar,
Correr, buscar, fugir... ou para simplesmente me impulsionar a continuar.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pálido e único anseio.

Não sinto sede. Sinto uma sede de saciar a sede, esta que há muito eu não sei mais sentir. E só.

***

Já nem sei o que é sonho, se fantasio tudo o que faço. Já não sinto a pele, sinto a ferida. Busco qualquer trivialidade para poder senti-la intrinsecamente. Já não quero ar; quero, de uma vez só, respirar tudo o que me rodeia e expelir tudo de mim em meio à minha própria explosão. Se a minha perna cambaleia, desejo poder tropeçar, arranhar todo o corpo com as irregularidades do concreto e atravessar o asfalto, a descobrir outro caminho que não este que agora eu trafego.
Quero calar a minha fala rouca, o meu riso frouxo, e engolir essa lágrima que não me ajuda a enxergar. Quero o novo, queria saber afogar-me no ínfimo copo d’água que me mantém de pé, e dele escapulir a nado até um oceano tão imenso que dilua todo o pranto que está condensado em mim.
Elaboro densas justificativas para descrever aquilo que não sei a meu respeito. Aquilo que permanece submerso em incerteza. Aquilo que me mantém minha mente absorta em dúvidas que dilaceram-me. Aquilo que não se explica. Aquilo que não se conceitua. Ainda assim, tento justificar isso tudo que permanece vago nas imagens que se formam no meu pensamento. Tento. Mas não sei nada justificar quando percebo que nem mesmo sobre o que sinto eu sei. O que sinto é o nada. E o meu vazio é tanto que sinto me desconhecer. Já não confio em mim, nem mesmo para que eu me respeite. Nem mesmo para que a mim eu me confesse. Nem mesmo para que eu me sinta livre para conhecer os meus próprios segredos. Mas eu não sei nem que segredos eu tenho. E nem mesmo se segredos eu tenho.
Quero uma reviravolta. Quero dar um grito em meio ao meu nada, mas para preenchê-lo com algo que não as dores que o impulsionam e que fazem desse berro o berro mais sincero que eu já pude furtar da minha alma.
Nas fotografias eu vejo um corpo que não transmite o que carrego a emendar e rodear as minhas cicatrizes. E no papel o grafite que traceja meus corruptos desvarios ainda é demasiado frágil para portar tudo o que não sei dizer sobre o que eu desconheço de mim. A lágrima pelo tórax deslisa, e alivia. Mas se toca qualquer cicatriz, é para fazê-la arder. E lá vêm mais lágrimas, e mais, e mais. E permanece cíclico o meu tormento. Choro umas tantas verdades ilativas que encontro sempre incontroversas, em mim.
Se no espelho vejo o espectro de um alguém que não consigo a mim associar, quero destroçar. Não o espelho, mas a imagem que nele se configura, apenas a verdade que dele eu consigo extrair a partir do pouco que sei de mim, a partir do que eu sei e não quero admitir em mim. No espelho vejo reflexos difusos de mim a circunscrever um olhar aflito. Vejo sorrisos desconexos e sei que eles escondem e contêm o grito. Grito esse que eu queria libertar, a abdicar da tranqüilidade, a abandonar o nada, para então inscrever-me no meu caos silencioso, a desestabilizá-lo, revirá-lo, transtorná-lo ainda mais, e por completo nele mesmo me perder.

***
E agora… vê que os lábios não somente estão secos como também estão mordidos de aflição? Pois desisto. Dá-me água, vá. Qualquer água… vá.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Transfigura-me de mim,

Um milímetro que seja, vá...

Deixar estar (de lado).

Hesitei, para então convencer-me o tempo. E assim decidi-me por estender-te os meus braços e escancarar-me perante a ti. Mas de súbito o que recebi não foi a recíproca, mas uma força intensa depositada pelos teus punhos que transpiravam sem pudor, enquanto tu cuspias no meu rosto a tua saliva vorazmente, aquela mesma que antes tu imploravas para que fossem de meu desejo. Pois eis que a ingenuidade e o tempo fizeram com que eu quisesse tudo o que proviesse de ti, abri-te os meus braços, mas de repente veio a incredulidade da colisão dos teus punhos atados com o meu peito que abrigava um coração que pulsava vivo e ansioso. Pois que do choque eu nada ouvi. O corpo desfalecia, as pernas bambeavam, e quanta aflição a carregar um ciclo de pensamentos que metralhavam dúvidas e questionamentos no que eu já considerara verdade alguma vez. E o estampido da colisão que de imediato eu não ouvi ainda ecoa. Durante a vertigem dolorosa restava-me uma incompreensão que afastava-me de tudo. Mas pára. Pára! Escuta. Ainda agora ecoa... Não me responde o tempo como um estalo pode prolongar-se tanto. E foi tão demasiado o impacto que o coração já não bate mais, apenas de vez em quando, batidas abafadas e irregulares quando de algo eu atrevo-me lembrar enquanto tudo em mim continua a definhar. O corpo empalidece, lento. Os olhos que pendiam e piscavam agora se cerram. A boca que antes tremia agora se cala. O corpo pára. E empalidece... até por completo perder-se no branco vazio dos dias, no branco vazio do que sou.

sábado, 7 de junho de 2008

Se o sangue ainda for rubro.

Pois que entre o branco e o preto eu sinto mais afinidade com o preto, muito embora eu reconheça o quanto o branco o supera.
As minhas palavras escassas e áridas se confundem em mim. Insisto em querer organizar-me, em querer conhecer-me, mas há já tanto tempo eu me sinto presa a uma imensidão negra que é esse silencioso vazio que sinto compor-me. Queria eu que esse vazio fosse branco. Talvez até o seja. Talvez haja algo em frente aos meus olhos interrompendo uma luz que me mostraria uma branquidão que fosse até mesmo capaz de me cegar e me atordoar tanto quanto essa escuridão. Alimento essa dúvida para não me perder no vazio que agora se apresenta obscuro. Para evitar a desistência. Talvez exista tal barreira que me esconda uma difusa imensidão branca em mim.
Encontro-me em uma escuridão que nada me fala, que nada me mostra, que não possui nenhum rastro, nenhum vestígio de falha, nenhum feixe de luz.
Pois que o preto é a ausência de tudo. Pois que o preto absorve tudo. A lágrima que nele penetra logo se torna negra também. O sangue rubro nele se espalha e se torna também preto. Não há fusão, não há mudança, tal negritude engole apenas as outras tantas cores que acumulo a se diferenciar uma das outras em valores infinitesimais, para em mim terminarem equiparadas apenas à nulidade do preto. Cada vez mais eu sinto a minha carência de tudo absorver os meus rancores sem expressá-los em quaisquer palavras tendenciosas ou repletas de uma audácia que eu não reconheço em mim. Sorrio com o meu olhar tímido e me calo.
Pois que talvez o preto seja apenas um branco tímido. Talvez seja de fato o branco, que é a junção de tudo, só que sem querer mostrar-se. Não descarto a possibilidade, que é só ela que ainda me faz querer me descobrir.
Pois que preto ou branco, não importa, o que me incomoda é o fato desse vazio incolor se instalar em mim.
Faço que digo, mas não digo, mesmo sem deixar de me incomodar.
Faço que vou, mas não vou, permaneço sempre apenas em rodeios a divagar.

Faço que faço, mas não faço. Calo. É tanto o que fica por dizer. É tanto o que se confunde, o que se funde, o que se interliga vorazmente. Nenhuma vontade se apazigua nessa minha passividade. Numa falsa paz, são tantos resquícios reluzentes que vem de dentro para me cegar. E no meu silêncio eu me perco, e num trêmulo relance, num grito rouco ou numa lágrima densa, eu descubro que tudo em mim é tão gris. A instabilidade de um gris errante que não transmite a monotonia do que ainda há em mim. Silencio-me, ainda assim, sem saber - e sem querer saber - o quão perto do negro tudo em mim já está...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Pausa.

Eu, comigo mesma, conspiro. Conspiro e formulo acusações, dúvidas, contradições. Armo-me contra mim mesma. No entanto, não sei distinguir minhas forças das minhas fraquezas, nem minhas características inatas dos defeitos que acumulo com o passar do tempo. Conspiro porque me insatisfaço. Conspiro porque não compreendo. Conspiro, simplesmente conspiro. Rodeio em volta do que me tonteia. E me tonteio ainda mais. Faço ainda mais perguntas acerca da ausência de respostas para aquilo que não me canso de me perguntar.

Sobra-me apenas esse vazio que já não engulo. Que consome os resquícios da fé que eu ainda depositava em mim. O crepúsculo se inicia e rapidamente se vai, e então já não há ninguém ao lado. Chegam a me incomodar as dispersas folhas secas que se arrastam na calçada de concreto. O silêncio em demasia enfatiza o tempo que demora a passar em solidão, e sem quaisquer vestígios de esperança ou de qualidade para que eu enxergue alguma razão de ser em mim, eu pereço lentamente. Já não tenho coragem pra contar quantos crepúsculos se encaixam em meio a um período de tempo que já não é mera fase ou época, mas de fato a minha existência.

domingo, 1 de junho de 2008

Tentar ouvir com os olhos.

Eu já não agüento tamanha frustração. Esporádica ou constante...? Já não sou capaz de julgar, perco-me no tempo cronológico e no tanto que me reconstruo e me refaço. Como se eu dormisse um sono pesado, que me aprisiona no meu próprio cansaço, que vai se esvaindo conforme o passar do tempo... E de repente, antes da hora, desperto. Desperto, mas os meus olhos permanecem fechados. E no interior das minhas pálpebras eu projeto o meu dia. Levanto-me, dispo-me, visto-me. Ouço as balbúrdias da mesa do café-da-manhã, esforço-me para manter os olhos abertos com a luminosidade da cozinha. No lado de fora, a chuva. Preparo-me, preocupo-me em não me esquecer de levar a sombrinha. Repito a palavra "sombrinha" diversas vezes no âmbito de evitar o esquecimento que eu já de antemão eu prevejo. Sinto o cheiro do suéter já seco que me fora emprestado em razão da tempestade da noite anterior, visto-o e sinto o meu coração palpitar de ansiedade por não me atrasar mais uma vez, mas antes que eu possa checar o relógio de pulso, berros mil me acordam, dessa vez definitivamente. Ainda estou deitado, descubro. Salto do colchão e, em meio a uma taquicardia leve, o tempo que me resta é muito menor para que eu possa fazer tudo o que eu achei que já havia feito naquele ingênuo desvario. Desvario esse com tempo de sobra, não obstante eu sem haver deixado de abandonar aquela ansiedade tola que me afligiu tanto naquela parcela de dia imaginário, quanto no restante do dia real.